O ponto de partida para a ação e a reflexão sobre a arte de ator de L. O. Burnier foi a necessidade de desautomatizar o corpo, tão facilmente formalizado e formatado pelas conven­ções. Assim haveria dois ganhos: a preparação de um corpo desimpedido de movimentos mecânicos, por um lado, e a sua dinamização, condição sine qua non para a expressão plena. Esta não dependeria de imitação, mas da descoberta de ações físicas surgidas a partir da liberação de voz, inserida no corpo, em suas diversas partes, e da capacidade de que efetiva­mente cada parte do corpo conseguisse “falar”. O eixo básico foi o exercício para a expressão livre das diferentes partes do corpo, com intensidade e ao mesmo tempo sem esforço notável em cena. A dinamização das energias seria tarefa a acompanhar cada ator até o fim de sua carreira. Pensando mais no corpo do ator e na sua organicidade, Burnier procurou um fluxo de vida, uma corrente quase biológica de impulsos que dirigissem a ação do corpo: uma reação primária e primitiva, não filtrada pela razão. Na linha dos pensadores que mais despontam em nossos dias, Burnier reconheceu que o ator “é um intermediário, alguém que está entre. No caso do teatro ele está entre a personagem e o espectador, entre algo que é ficção e alguém real e material”.

A ARTE DE ATOR: DA TÉCNICA À REPRESENTAÇÃO

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