O tempo encarregou-se de comprovar os acertos e a agudeza do trabalho de Mauro Leonel, que há vinte anos já demonstrava que a questão ambiental e a econômica eram complementares e exigiam uma resposta inovadora. A primeira década este século trouxe, de fato avanços, mas nos últimos dez anos as tensões sociais e econômicas vem se agravando ano a ano com o abandono da pauta preservacionista e o reavivamento de políticas extrativistas e de ataques às florestas. Nessa nova edição, Leonel dirige sua pena contra a irresponsabilidade de um governo que opõe de maneira mais do que suspeita o desenvolvimento econômico à preservação responsável do ambiente natural. O resultado é conhecido: ruptura, pobreza e desigualdade social. A edição de A Morte Social dos Rios já em sua primeira edição tornou-se um marco ao romper o consenso superficial existente no discurso ambientalista em torno de ideias como a de um desenvolvimento sustentável que beneficiaria todo mundo ou das consequências da devastação e da poluição que prejudicariam a todos. Ela mostrava que, longe disso, perdedores e vencedores desse embate tinham identidade e condição social bem definidas. Duas décadas depois, testemunhamos grandes avanços nos aspectos legais, econômicos, sociopolíticos de nossa relação com o ambiente. Nos últimos anos, porém, a hostilidade reacionária mascarada de discurso em favor do crescimento econômico equipara ciência e preocupação ambiental a entraves ao desenvolvimento e despreza toda a experiência recém-adquirida por nossas sociedades em como progredir e preservar. Daí a importância de republicar esta obra em nova edição atualizada e ampliada, em que Mauro Leonel, contextualizando com rigor e clareza o problema socioambiental entre nós, continua, de maneira brilhante, a fazer jus à máxima de Pierre Bordieu de que é da natureza social a luta permanente para dizer o que é social.

A morte social dos rios

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